Pedreiras

José Cícero quebra pedra desde os 16 anos de idade e já foi ferido em explosão


MPT constata trabalho insalubre e perigoso em pedreiras alagoanas

      O sol forte do meio-dia não desanima José Cícero Bento da Silva, 31 anos. Com um martelo e um ponteiro (ferro firme e pontiagudo) ele vai quebrando as pedras de uma cratera escaldante, para garantir que sua produção chegue aos R$ 120, valor que recebe por uma semana de batente. Essa foi a realidade encontrada nesta sexta-feira (24) pela equipe do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, em inspeção nas pedreiras do Povoado Mata Verde, Município de Maribondo, distante 86 quilômetros de Maceió.
      Casado e pai de dois filhos, José Cícero trabalha em pedreira há 15 anos, e tem uma jornada pesada. Muitas vezes chaga a fazer 10 horas diárias. “A gente tem que trabalhar muito porque tem semana que não dá para tirar nada”.
     Além de quebrar pedras, José Cícero também manuseia explosivo, mesmo nunca tendo sido treinado para a atividade. Ele lamenta, mas diz que tem de trabalhar para sustentar a família. Há mais ou menos um mês, José Cícero foi mais uma vítima de acidentes nas pedreiras. “Levei um corte no braço que pegou onze pontos”.
     Mas José Cícero já havia sofrido outro acidente quando trabalha com seu irmão. Há cerca de 10 anos, os dois colocaram explosivos para detonar, mas não funcionou. Quando se aproximaram para verificar o que havia acontecido, veio a explosão. “Fui jogado longe; fiquei tonto, sem saber nem onde estava. Meu irmão perdeu a mão ali mesmo, na hora”, relatou.
    Maurício Alves da Silva, 28 anos, trabalha em pedreiras desde os 8 anos de idade. Suas mãos calejadas são a prova de que não usa luva nem nenhum outro equipamento de proteção individual. Mesmo com uma jornada exaustiva, ganha, em média, R$ 80 por semana.
    “Nunca arrumei onde cair morto. Só consigo o mínimo dar comida a minha família. A gente se serve do que arruma. Se for esquentar a cabeça é pior”, disse Maurício.



Outra vítima


        O jovem Marciano Domingues Macedo, de 23 anos, é mais uma vítima do trabalho perigoso nas pedreiras. Desde os 8 anos trabalhou quebrando pedra, mas teve de interromper a atividade em Fevereiro de 2008 porque sofreu um grave acidente, que lhe tirou a visão do olho esquerdo e por pouco não perdeu a mão direita. “Estava colocando o explosivo entre as pedras quando um colega bateu nas pedras com a marreta para detonar; na segunda batida explodiu tudo. Subi mais ou menos na altura de um poste e quando cai foi em cima das pedras e apaguei. Quebrei o maxilar, o osso frontal próximo ao olho esquerdo, o braço direito e tive cortes profundos nas pernas”, relatou.
       Hoje, Marciano está desempregado. Não pode mais trabalhar em pedreira porque ainda sente muitas dores na mão e no braço e só enxerga com o olho direito.

Força-tarefa busca melhoria das condições de trabalho nas pedreiras


   Para buscar resolver a situação, uma força-tarefa, comandada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, participou de audiência pública, nesta sexta-feira (24), no povoado de Mata Verde. O objetivo foi ouvir trabalhadores de pedreiras e orientá-los para regularizar a atividade, de forma a melhorar as condições de trabalho e de vida das cerca de 300 famílias que sobrevivem da extração de paralelepípedo e meio-fio.
      Participaram da audiência auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), representantes do Município de Maribondo, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), do Senai, Instituto do Meio Ambiente, entre outras entidades envolvidas.
      O povoado de Mata Verde foi o primeiro a receber a força-tarefa por ser o local com a maior concentração de pedreiras no Estado. De acordo com o procurador-chefe do MPT, Rodrigo Alencar, a finalidade não é fechar pedreiras, mas buscar soluções viáveis para que esses trabalhadores saiam da informalidade e possam desenvolver a atividade de maneira segura. “Sugerimos a organização dos trabalhadores para que possam ter condições de agregar valor ao material extraído, o que resultaria em melhoria das condições em que vivem”, disse.
      Alencar esclareceu aos trabalhadores que participaram da audiência pública que a partir da organização do trabalho, eles teriam condições de receber capacitação técnica, de buscar apoio de empresas e financiamentos, além de participar de concorrências públicas. “Com todo o processo de organização, os trabalhadores forneceriam o produto diretamente sem a interferência do atravessador”, completou.
     Os trabalhadores disseram que na região existem cerca de 25 pontos de extração de pedras, mas apenas três possuem características e porte de pedreira. Nos locais de menor porte atuam cerca de cindo pessoas. “Muitas vezes até o dono do próprio local também trabalha”, relataram, acrescentando que os principais compradores do material são os órgãos públicos e que a grande preocupação de quem trabalha na atividade de extração de pedras é “o calote dos administradores públicos”.




Propostas

       A atividade de extração em pedreiras, da forma artesanal como é feita, é insalubre e chega a ser desumana. Por isso, uma das saídas sugeridas pelo grupo para resolver a situação degradante em que se encontram muitos trabalhadores é viabilizar a formação de cooperativas nas comunidades onde existam pedreiras clandestinas.
      O representante do Sescoop, Antônio Carlos, colocou-se à disposição para auxiliar os trabalhadores tanto na organização quanto na capacitação para o trabalho em cooperativa. A partir da formação da cooperativa, eles participarão de cursos no Senai na área técnica e de segurança no trabalho.
      O Exército Brasileiro, órgão responsável pela autorização do trabalho com explosivo, também se dispôs a treinar e orientar os trabalhadores no manuseio do material usado para detonar as pedras, que hoje tem fabricação caseira e põe em risco a vida das pessoas.
     O grupo volta a se reunir no próximo dia 7 de Agosto, às 14h, no salão onde funciona o Programa de erradicação Infantil (Peti) no povoado.


Trabalhadores houvem propostas para melhorar condições de trabalho

Marciano sofreu acidente há pouco

mais de um ano e não pode mais trabalhar em pedreiras





“Nunca arrumei onde cair morto. Só consigo o mínimo dar comida a minha família. A gente se serve do que arruma. Se for esquentar a cabeça é pior”, disse Maurício.







 


SÃO USADAS AS SEGUINTES FERRAMENTAS PARA FORMAR UM PARALELEPÍPEDO:
• Martelo de 1 kg

• Marreta de três e 5 kg

• Machado feito da marreta de 5 kg de mola.

• Ponteiro F4 mil.

• Pixote de parafuso de carreta ou de mola aço sextavado.

Escopo feito de mola e semi-eixo de 1 a 2 m.


COMO EXTRAIR A PEDRA?
1. Fura a pedra (que eles chamam de fura fogo) dependendo do tamanho da pedra.

Exemplo: uma pedra de um metro e meio, fura 1 m de profundidade.

2. Depois que a pedra é esburacada coloca a pólvora ou o colorante e detona a pedra.

3. Depois de detonado a pedra, pega o martelo, ponteiro e o pixote dando corte por cima da pedra formando buraquinhos para colocar as caixas de pixotes.

4. Com a marreta de 5 kg, bate em cima das cabeças dos pixotes formando as pilastras de pedras.

5. Por cima das pilastras bate com o machado na corrida certa abrindo ela formando as folhas de pedras.

6. Com o escopo e o martelo de 1 kg

3 comentários:

comentário disse...

Não adianta ficar apontando os ricos em que esse trabalhadores estão sendo submetidos, mais vale apontar alternativas para que os mesmos não passem por tantos riscos.

Anônimo disse...

Não adianta ficar aountando os riscos que esse trabalhadores estão submetidos diariamente.Mais vale, apontar meios e alternativas para amenizar ou até mesmo coibir esse riscos.

Claudomiro Paz disse...

eu tambem ja trabalhei quebrando paralelopipado para calçamento de ruas no estado de minas garais baia pernambuco minas gerais na cidade de aguas vermelhas fornecia para prafeitura na epoca dos prefeitos rorentino e darcir na adiministraçao do sr daumir o mesmo em alguns anos atrais canditatod ha vereador e trabalhou na camera da cidade axercendo o cargo elegido grato claudomiro filho de cosme da pedreira quem ver este comentario me liga porfavor se me conhecer fone 11 98408074 ou 11 24369819